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Reality - Capítulo 1

Um experimento que nasceu na minha vontade de postar alguma história com a temática de blogs, diferente de todas as histórias que eu havia visto sobre o assunto. Não é uma história sobre o maravilhoso mundo dos blogs, muito menos sobre o quanto esse mundo virtual é falso (o que eu discordo em partes, leiam o post sobre a minha crítica a Essena), mas sim uma mini história sobre o auto descobrimento, sobre a essência verdadeira de cada pessoa, e também sobre o quanto algumas escolhas mudam totalmente a nossa vida. Estou escrevendo essa história não com o intuito de desmerecer blogueiras maiores ou coisa do tipo, e pelo amor de Deus, se conhecerem alguma blogueira parecida com a Mariana me avisem, porque tentei por nela algumas condições e... Digamos que defeitos de uma vida mentirosa por trás da internet. Não uma vida por trás de fotos do Instagram ou algo parecido, mas sim uma vida de máscaras, onde algumas pessoas fingem serem outras apenas para agradar uma maioria, ou porque acham que é assim que a vida deve ser. Enfim, aproveitem a história e não me joguem tomates se não gostarem, críticas são super bem vindas!
Capítulo 1 - Máscaras

Tudo que eu queria eram só mais cinco minutinhos, apenas essa quantidade mínima de minutos para descansar só mais um pouco. Muito sonhadora essa garota, até parece que o costumeiro despertador do celular iria parar de tocar "Bang" magicamente, e até eu arrumar forças para estender a mão para a cabeceira da cama, já teria perdido todo o sono. Abri os olhos inundada de preguiça, e bufei ao ver aquela penteadeira horrorosa na minha frente por mais um dia. Eu a odiava eternamente, sua cor rosa choque chegava a me dar dores na vista, e o modelo meio provençal me lembrava aqueles filmes que remetiam a era vitoriana. O resto do quarto não me proporcionava um sentimento diferente, tudo ali parecia um cenário de um filme que eu odiava, e esse filme era a minha vida. Estendi o braço para a cabeceira, tateando incansavelmente até achar o meu celular, e por pouco não o derrubei no chão, eu definitivamente não precisava rachar a tela dele pela quinta vez nesse ano. Desbloqueei-o com um deslize do meu dedo em sua tela, e precisei afastar o telefone da minha vista, por causa da quantidade de notificações brilhantes e barulhentas, eu havia esquecido os aplicativos abertos de novo, ou provavelmente havia dormido em cima do celular como sempre fazia. 

Deixaria para responder aquilo tudo depois, o que eu mais precisava agora era de um bom banho. Não digo que me arrastei para o banheiro porque seria exagero, eu meio que me obriguei a andar de forma decente, se não teria que me preocupar com mais dores do que a minha costumeira dor de cabeça matinal. Assim que terminei, agora um pouco mais atenta e menos mal humorada, me cobri com o roupão e olhei torto para o meu computador, aquela claridade toda me mataria a qualquer momento. Tentando espantar esse tipo de pensamento me sentei de vez na cadeira e botei a maquina para funcionar, e enquanto respondia alguns emails e comentários, me permiti divagar um pouco sobre como a minha vida havia virado do avesso quase que sem a minha permissão. 

Tudo começou quando eu tinha uns 15 anos, eu era particularmente bonita mesmo por trás daquelas maquiagens horrorosas e das poses ridículas do Orkut. Com a popularização da internet, mais pessoas passaram a me conhecer, muitas além da minha escola, do meu bairro, da minha cidade e até mesmo do meu estado. Arrisco dizer que me deixei levar pela maré, e quando percebi, eu estava em uma posição bem parecida com a que estou agora. Sentada na frente de um computador, porém antigo por causa da época, encarando a interface do blogspot sem saber ao certo o que postar no meu novo blog, aquele que tanto haviam me pedido para criar. No início era divertido, eu me permitia ser o mais viajada possível nas minhas postagens, e não me importava com a quantidade de pessoas que estava me vendo. As coisas não continuaram desse mesmo jeito, com a quantidade de perfis e blogs sendo criados a todo momento, me vi sendo obrigada a mudar pouco a pouco, e agora a uns 3 anos depois eu mal me reconheço. 

Depois de responder o tanto de comentários que pude e deixar algumas mensagens nas redes sociais, me rendi a real rotina matinal. Me sentei em frente ao espelho daquela penteadeira horrorosa e fiz algo que já me era automático, a maquiagem de todos os dias, algo básico o bastante para parecer que estava natural, mas que escondesse minhas marcas de espinhas do início da minha adolescência e que me deixasse mais bonita do que eu já era. Abri o snapchat no celular e mantive o polegar já dolorido na maldita bolinha vermelha, o discurso era quase o mesmo. Com um sorriso que não era meu, comecei a falar: 

- Bom dia meus amores! Acho que peguei no sono ontem a noite de novo e acabei de acordar, mal posso esperar para gravar uma maratona de vídeos hoje, e mais tarde vou estar ai pertinho de vocês, no Norte Shopping na loja da Quem Disse, Benedite. Quero todas as minhas cariocas lá, ein?! 

Passado os 15 segundos de gravação, fiz mais movimentos automáticos para enviar o vídeo e senti uma vontade descontrolada de jogar aquele celular longe. 

- Menos Mariana, você é mais forte do que esse seu estresse idiota - repeti meu mantra em voz alta, a única maneira de me lembrar que tudo estaria tudo bem, e que eu teria que me estressar ainda mais se decidisse quebrar toda a casa. Arrumar o dinheiro para um celular novo me obrigaria a aceitar alguma parceria estressante ou mais trabalho do que eu já tinha. 

Me sentei novamente na mesa do computador e comecei a digitar as postagens dos próximos 3 dias, editei algumas fotos de look do dia, fiz a montagem de alguns tutoriais de maquiagem e montei miniaturas para os vídeos já editados. Quando terminei tudo já eram 4 da tarde, eu estava faminta e com toda dor no coração possível, aceitei que eu não poderia comer no burguer king ou no bobs, comida rápida pra mim seria um prato de salada que me deixaria anêmica logo logo, mas é claro que eu não tinha tempo para pensar nisso. Completei a maquiagem que já havia feito mais cedo, deixando-a mais pesada e mais elaborada, tomei um segundo banho e vesti a roupa que havia escolhido no dia anterior. A três anos atrás eu riria de qualquer garota que chegasse três horas antes em algum lugar, apenas para gravar alguns vídeos e tirar algumas fotos, mas lá estava eu a caminho do shopping, com o meu fiel escudeiro e fotógrafo ao meu lado. Ele não gostava muito de mim, mas formávamos um belo par quando se tratava de fotógrafo e sua modelo. Não precisei sair do carro para saber que a noite seria longa, as garotas no estacionamento gritavam algo o bastante para me dizerem que sim, eu teria muita dor de cabeça essa noite. 

Uma conversa sobre metas

Eu percebi nesses últimos anos que 2015 não foi um ano fácil pra quase ninguém. Além dos desastres naturais, problemas com corrupção, crise, atentados e violência, senti que 2015 foi um ano turbulento para muitos adolescentes, e bom... Eu fui um deles. Terminei 2014 a todo vapor, com postagens diárias, vários planos para o canal, super de bem com a vida e muito mais, mas isso não quer dizer que eu estou triste, muito pelo contrário, só tenho a sensação de ter terminado um ano vazio, mesmo tendo completado o meu primeiro ano de namoro, e conquistado algumas coisas incríveis com o blog!


Não sei o motivo dessa bad toda durante esse ano, mas espero que 2016 seja melhor, e que me tire desse desânimo absurdo que só me faz reforçar a teoria de que o segundo ano do médio é um limpo, área morta, aquele ano em que você só existe e ponto. Sei que fazer postagem de metas no blog é totalmente clichê, mas são esses pequenos clichês da vida que nos aproximam da essência da blogosfera, que é compartilhar parte da nossa vida com pessoas que mal conhecemos. 

Quero finalmente ser aluna destaque na minha escola. Esse ano minhas notas foram boas, mas acabei faltando muito e por isso tive dificuldade em algumas provas, apesar de ter passado de ano direto nos dois semestres. Em 2016 eu quero faltar menos e estudar ainda mais.

Inaugurar o meu portfólio. Mesmo tendo aberto a lojinha online nessas últimas semanas, quero um espaço mais sólido para a Beauté Store, e estou trabalhando nisso desde já. Fazer um site com as próprias mãos é uma tarefa cansativa e desgastante, por isso já sei que essa meta vai me custar um bom tempo.

Voltar a ler mais. Junto com esse desânimo de 2015 eu também diminuí absurdamente a frequência com que eu leio meus livros, o que vocês podem perceber claramente ao ver a quantidade de resenhas que tem aqui no blog. Porém eu prometo que ano que vem vou ler muito mais, e resenhar mais ainda para vocês.

Voltar a frequência antiga do blog, ou quase. Acho que é completamente compreensível que eu não poste todo santo dia aqui no blog em pleno terceiro ano do ensino médio, mas prometo que vou chegar perto. Uns 3 posts por semana pra começar??

Me dedicar mais ao canal. Tá ai uma meta difícil, eu sou a miss preguiça e por isso muitas das vezes eu perco oportunidades ótimas de gravar vídeos por preguiça de me arrumar, ou fazer todo o procedimento antes de ligar a câmera. PORÉM, sei que nada vem fácil nessa vida, e se eu quero que mais pessoas me conheçam e conheçam o meu trabalho, preciso me esforçar e muito!

Tirar mais fotos para o Instagram, e dessa vez, fotos de verdade! Sou daquelas que tiro um dia pra dar 1.000 cliques, e vou postando aos poucos nas minhas redes sociais, mas nesse ano eu não quero mais fazer isso. Quero tirar fotos diferentes, em dias diferentes e situações diferentes.

Fazer colab com alguma amiga blogueira que mora longe. Essa foi uma mega indireta para a Gabs, já que estamos a meses (juro!) planejando um vídeo em dupla, mas ele nunca sai. Não vou nem dizer que tem um pézinho da minha preguiça nisso tudo, né??

Iniciar parceria com a minha irmã. A minha irmã de consideração é uma artista incrível, e que infelizmente desdenha muito dos desenhos dela. Eu acho que ela tem um futuro imenso como desenhista, designer, ilustradora e artista na internet, e quero muito apresentar o traço dela para as pessoas da blogosfera!

Désir

Os dias se passam, o cansaço me mata, a preguiça se prende a fadiga e meu coração a cada dia bate mais lento e incansavelmente amargo. 

Dor já não é o que eu mais sinto.

As palavras já não me livram mais da grande verdade explicita sobre meus olhos escuros, a noite na verdade acalma aquilo que meu corpo e alma lutam para se rebelar, minha ansiedade atinge meus lábios desejosos por flores amargas e calmas, enquanto a minha alma se desprende do corpo e toca-lhe o rosto calmamente, só observando os traços que talvez perdesse de meu coração e mente.

Eu digo o que quero, é irrevogável dizer que meus sentimentos não são recíprocos pois meus beijos e minha fala lhe é perfeita diante do imperfeito. 

Desejar talvez não seja pecado perante aos olhos que amam sem se deixarem pesar, um corpo na cama, no chão, ou no próprio ar, ainda deseja suas mãos, seu corpo e seus olhos que acima de mim sentem fome como o próprio luar sente ao se deitar para que o mais belo amanhecer se levante, e então flutuaremos sobre a cama que nos chama apenas mais uma vez.

E tudo se acaba como um dia foi, e se foi para sempre junto com o último beijo que lhe dei.

O texto a cima não foi escrito por mim, mas sim por uma amiga que tem um dom para passar para o papel seus sentimentos da forma mais bonita, delicada e profunda. Espero que esse pequeno textinho alegre o dia de vocês como alegrou o meu <3.

Sobre o que eu já não sinto por você

Eu nunca pensei que acabaria assim desse jeito. Não esperava que fosse fácil, muito menos agradável, mas eu nunca esperaria que seria tão fácil para o meu coração. Como nós podemos não nos afetar com coisas tão sérias, e quando o assunto é bobo, nos derruba na hora? Eu queria me entender, sério, complicada essa cabeça de adolescente de 15 anos. Foram tantas palavras não ditas, e tantas que poderiam ser evitadas. Eu queria ter aproveitado mais, me jogado mais, mas ao mesmo tempo não me arrependo, afinal, meu coração diz que fiz o certo, e se ele está em paz, quem sou eu pra discordar das vontades de deus?

Algumas vezes eu paro pra pensar como seria se eu pudesse voltar a um ano atrás e mudar tudo, e quer saber? Eu não mudaria nada. Ouvi muitas pessoas dizerem que as pessoas deixam marcas na nossa vida, marcas boas ou marcas ruins, e agora eu realmente não sei que tipo de marca você deixou na minha vida. Não tiraria essas marcas por que são partes de quem eu sou, e eu não iria querer ser diferente. Você é parte de mim, eu sou parte de você. ou pelo menos éramos quando fomos um só. Você ficou com um pedaço do meu coração, e eu, com um pedaço do seu, mas eu realmente não sei se ainda quero isso guardado comigo.

Agora simplesmente não parece ter sentido, muito menos valer a pena. Confuso né? Nunca achei que um dia iria querer te manter afastado, mas agora essa é a unica coisa que passa pela minha cabeça. Não sou a melhor pessoa do mundo, não posso julgar os seus erros por que também erro, mas não posso me deixar ferir cada vez mais por uma sombra do passado, por que foi isso que você se tornou, uma distante sombra do passado.

Sobre o que eu ainda sinto por você

Um dia eu já fui boa pra descrever meus sentimentos em palavras, mas agora? Eu mais pareço uma pedra. Tudo muda depois de um relacionamento, e o fim dele parece vir com uma onda de outras catástrofes trágicas na minha vida. Você costumava me chamar de princesa, me botava pra dormir toda noite, e agora? Só sobraram lembranças e um sentimento contido, e consequentemente não retribuído. Sempre soube que iria sofrer mas nunca imaginei que seria tanto, e por tanto tempo. Meus sentimentos se revestiram em pedra, e o que eu sentia por você, por tudo, por todos não passou de um sussurro ao vento. 

Uma barreira, é isso, foi isso que se criou quando me separei de você. Uma barreira que me mantinha longe dos sentimentos nocivos, tais como amor, carinho e até mesmo compaixão. Ainda me lembro das tardes que passei com você, e da forma como parecíamos perfeitos um paro o outro, juntos. Esse é o meu sacrifício, o sacrifício da princesa, deixar meu anjo ir embora e seguir sua vida, enquanto meu coração definha em espera de algo melhor. 

Você disse que já não me reconhecia, que eu não era a garota por qual você se apaixonou, e eu ainda temo que um dia me torne essa garota novamente, alheia as dores que senti, mais uma vez. Talvez você não se importe, e eu realmente não espero que o faça, mas deixo aqui meus sinceros sentimentos. Eu amo você, e sempre vou te amar. 

Por que ballet?


Só pra avisar, eu to escrevendo esse post ouvindo a musica mais deprimente do mundo inteiro, então preparem-se. Esses dias eu me peguei reclamando com a minha mãe sobre o quanto eu tava cansada, e o quanto as dores me incomodavam, e ela me perguntou : Então por que você não sai? Eis a questão, por que eu não desisto logo? É coisa de bailarina gente, não dá, eu me apaixonei pelo ballet por pouco tempo e se eu fosse aquela mesma garota de três anos atrás, eu já teria desistido por não ser tão boa quanto eu queria. 

Eu aprendi uma coisa muito importante com uma das pessoas que mais marcaram a minha vida. De agora em diante você tem que esquecer tudo que você aprendeu, por que nada vem fácil, isso SE vier. O ballet é uma coisa complicada, não tem como esperar ser bom em tudo, seu corpo tem limites que não podem ser superados, mas podem ser trabalhados. Joelhos fracos, pés en dedans, lesões anteriores, falta de alongamento, problema com equilíbrio, força, falta de sustentação... São tantos que podemos (ou nem podemos) contar nos dedos as bailarinas que não apresentam nenhum problema sequer. 


Muita gente já começa o ballet perguntando se dói, a minha resposta? Não vá pensando que dói só na hora dos alongamentos, a maioria das posições é uma tortura, você sente caimbra até na aula e pensa em mil e uma maneiras de fugir dali, bailarinas aguentam de olhos fechados e lágrimas nos olhos, mas nunca desistem. Agora imaginem fazer uma aula inteira com a unha encravada? Complica, complica MUITO, mas uma coisa eu posso garantir a vocês : A dor passa, e com o tempo os movimentos que mais te machucavam não vão nem incomodar mais, é tudo uma questão de costume. 


É um trabalho difícil de se conseguir e de aperfeiçoar, só faz quem ama mesmo, e nós conseguimos perceber de longe quem realmente tem amor a dança. Não vou negar, penso 947384 vezes se quero ir a aula toda terça e quinta, mesmo tendo esperado por esses dias a semana inteira, é uma relação de amor e ódio que ninguém entende, só quem faz sabe a sensação que é fazer a primeira posição e começar a maratona de pliês, logo no inicio da aula.

Não sou a melhor dançarina, nem a mais alongada, muito menos a com a técnica perfeita, muito pelo contrário, erro a maioria dos movimentos, postura e posições, mas faço tudo com amor, muito amor.

Como você passa o seu tempo?

Esse daqui é mais um post pessoal, então se preparem para a historinha de vida. Muitas pessoas passam o dia inteiro no computador, outras leem, outras dormem, são milhares de alternativas possíveis e cada uma delas varia do gosto da pessoa. Tenho orgulho de dizer que passei por muitas coisas antes de chegar no ballet, vamos conferir?

Fiz ballet desde que eu era bem pequena, ainda na baby class e como já cheguei a comentar com vocês, eu odiava. Acho que não vou limitar esse parágrafo só ao ballet, por que como eu sempre costumei dançar em todos os eventos da escola, passei um tempo me dedicando a isso. Apesar de serem atividades praticadas somente na escola, isso tomava um pequeno tempo da minha vida, e tirando as aulas de ballet, eu adoraaaaaaaava dançar.

Acho que toda criança já fez natação uma vez na vida né? Eu devo ter feito por um ano, um ano e meio, não faço a minima ideia de qual foi o tempo, mas só fui aprender a nadar MESMO nos fds que passava no piscinão do meu tio. Ainda sou aquele tipo de nadadora que mergulha com o dedo tampando o nariz, e nada muito mal debaixo d'água, ou seja : só rendo no cachorrinho.

É meio difícil acreditarem que você fez basquete quando se tem 1,50 de altura, mas foi isso que aconteceu. Não devo ter durado nem seis meses e tinha 9 anos, acredite se quiser, eu era uma das mais altas da minha turma. Até que eu jogava bem, mas sempre fui muito frouxa pra dor, e voltava todo dia pra casa com o corpo dolorido, resultado? Tchau poliesportivo.

Quem me olha normalmente pensa que eu faço o tipo de garota metida, mas acredite se quiser, tão inacreditável quanto o basquete, eu já fui escoteira! Tá bom, durei um mês no negócio e não cheguei a ganhar nenhum distintivo, mas me obrigaram a enfiar a cara na farinha e eu fiz sem reclamar (mentira)! Durei dois meses no máximo, pelo menos ganhei experiência.

Outra coisa que me limita só a escola é o teatro. Já que o professor diz que eu tenho futuro, faço sem reclamar. Fiz minha primeira peça no mês passado, atuando como uma das vendedoras de uma propaganda no meio da nossa versão mais que improvisada do cidade alerta, consegui fazer a plateia rir mesmo tento esquecido a fala no meio do palco, mas né, acontece.

Era uma vez... Bailarina


Aposto que de todas as blogueiras do mundo, eu sou a mais indecisa. Seja na cor do cabelo, na roupa, maquiagem, e principalmente na dança que quero fazer. Decidi empurrar a escola de dança até o início do ano que vem, por causa das viagens e das férias de natal. Tinha dito em um post anterior que pretendia começar no jazz pra não me machucar, mas vamos combinar, o ballet é realmente apaixonante. Em menos de três dias mudei totalmente todos os meus conceitos sobre a dança, e vi nela uma nova forma de enxergar o mundo. 

Nunca tinha visto o ballet com esses olhos, descobri que não se trata só de uma modalidade de dança, mas sim de um mundo inteiro, uma nova forma de ver a vida, outro modo de viver. Li vários textos, acompanhei várias páginas, vi vários videos e tive certeza absoluta de que era aquilo ali que eu queria dali pra frente. Tutus, sapatilhas, dores, machucados, espetáculos, aplausos, aulas, festivais, mais aulas... Nunca tinha me encontrado tanto como me encontrei no ballet, que conseguiu fazer uma conexão comigo mesma bem mais forte do que a dança de rua, o que é impressionante. 

Passei um tempo procurando por vídeos, espetáculos, fotos, textos, passos, e consegui absorver algumas coisas básicas pra toda bailarina, desde o que levar na bolsa até os cuidados com as sapatilhas de ponta (que tenho esperança de um dia usar). 


Depois que você se envolve na coisa, fica difícil tirar da cabeça. Já pensei mil e uma vezes em correr até a escola e assistir as aulas, apenas para sentir a emoção de estar ali, com aquelas pessoas. Muitos me disseram que tenho futuro como muitas coisas, mas botei na minha cabeça que daqui pra frente eu vou focar no ballet. Mesmo que essa não seja a profissão que eu desejo exercer no futuro (infelizmente o ballet não é tão valorizado aqui no Brasil), quero aproveitar o quanto eu puder desse mundo, e quem sabe daqui a uns anos, isso se torne muito mais que um hobbie. 

Pretendo falar mais sobre o ballet aqui no blog, mas vou tentar não limitar o assunto só a isso, mas prometo que o ballet vai estar bem mais presente nas páginas do que eu imaginava. Vou narrar cada pedacinho que eu puder das minhas aulas e vou compartilhar com todos essa minha nova paixão. 

Poder compartilhar com todos cada pedacinho dessa vida é uma oportunidade incrível, pois poucos blogs sobre ballet são tão pessoais a ponto de se transformarem em um mini-filme da vida de uma bailarina. Beijinhos amoras.

Like a Juliet

Seus pés tocavam o assoalho de madeira com delicadeza, enquanto ela sentia com prazer a dor que os movimentos lhe proporcionavam. Seus músculos estavam rígidos, e era possível perceber pela maneira como ela dançava pelo salão. Toda sua graça havia ido embora, e ela dançava como se seus pés tocassem cacos de vidro. Ela absorvia a dor com prazer, ignorando tudo e todos a sua volta.

- Julieta? - O professor de dança lhe chamou uma primeira vez, em uma tentativa frustrada de corrigir seus erros, mas a garota estava tão absorta em seus problemas que mal ouviu suas palavras de auxilio, apenas continuou dançando, enquanto seus pés sangravam. - Julieta! - Ele tentou novamente enquanto agarrava a aluna pela cintura, olhando horrorizado para as sapatilhas manchadas de sangue. Ela dançava a horas a procura da perfeição, mas seus movimentos brutos não seguiam a risca a coreografia. 

- Sim? - Perguntou ela, tão inocente que mal percebera as mãos do homem tocando-lhe a cintura. Ou pelo menos fingira não perceber, Julieta mentia tão bem quanto dançava, mesmo em seus piores dias como dançarina. 

- Você já foi mais graciosa. - Ele disse, segurando seu pulso e guiando-lhe pelo salão, enquanto a menina recomeçava agora com auxilio a dançar. Só quando terminou os últimos passos a dor tornou-se insuportável, e a garota caiu sentada no chão, abafando as lágrimas com ambas as mãos sobre o rosto. - Por hoje basta. - E soltou um longo suspiro, retirando as sapatilhas dos pés da garota e os trocando por algo mais confortável. Não tão aliviada quanto deveria, Julieta levantou-se com dificuldade e rumou para sua casa, que não ficava muito longe do teatro onde sempre dançava. Era uma casa modesta, do tipo que nos dias atuais, acomodariam muito bem os cidadãos de classe média, mas que naquele tempo somente eram concebidas aos melhores empregados das primeiras indústrias. Algumas gotas de suor ainda escorriam pelo rosto da garota, devido ao clima muito quente provocado pelas cadeias de montanhas que rodeavam a cidade. Ela deixou que a água quente lavasse junto com o sangue, toda a dor que sentia, mas como nada nessa vida é fácil, não foi bem assim que aconteceu.

A sensação da água escorrendo por seu corpo podia até ser relaxante, mas em suas costas ainda havia um peso, um peso que nem mesmo ela, uma bailarina tão forte e dedicada podia aguentar sozinha. quando apenas uma fina camisola de ceda cobria seu corpo, ela ascendeu um lampião que ficava próximo a sua cama e tirou de dentro de seu travesseiro todas as cartas de amor que recebera de seu amado, suspirou. Só de lembrar seu nome, seu coração vinha a boca, e as borboletas de seu estômago rodopiavam de excitação. Uma corrente elétrica percorria seu corpo inteiro, ela também sentia medo. Além da casa, também fora concedido a família da garota uma criada, porém esta trouxera consigo do campo um filho. Encarregado das despesas da casa, o garoto mesmo que muito jovem era quem auxiliava o pai de Julieta com qualquer coisa relacionada ao dinheiro, dentre todos os garotos nascidos no campo, Romeu era um dos poucos que sabia ler, então servira muito bem a casa dos Capuleto. Romeu havia ensinado Julieta a ler, e visitava seu quarto toda semana, pouco antes do sol nascer. Ele escalava sua parede e saltava em sua varanda, batendo sempre três vezes em sua janela. Julieta sempre abria, e eles passavam poucos minutos juntos, trocando palavras e caricias de amor.

Sweet Dreams

Quem olhava de longe, nunca percebia as tristezas que guardavam a casa das cerejeiras. Era uma residência muito antiga, e como qualquer antiguidade, as más línguas não polpavam os elogios. Vivia ali uma jovem menina, beirando seus dezesseis, dezessete anos, que nunca era vista pelos moradores da pequena cidade em que residia. Morava apenas com duas empregadas, os pais, cujo assassinato ainda era algo misterioso, haviam se ido muito antes da menina proferir suas primeiras palavras, mas deixaram para a pequena grandes riquezas, que por vários anos foram administradas por suas criadas. Das poucas vezes que a menina era vista pela cidade, era descrita como uma bela moça ao melhor estilo vitoriano. Tinha a pele muito clara, quase como porcelana bem antiga, porém seus cabelos eram como a noite, escuros e cheios de vida. Seu caminhar era muito lento, e na maioria das vezes parecia guardar uma dor terrível dentro de si, ou algo que pesava horrores em suas costas. Nunca era vista sorrindo, muito menos chorando, mas sempre diziam que a cima de tudo era muito educada. Dava bom dia, boa tarde, e algumas vezes até boa noite, por favor e obrigada. Quando cantava, os homens paravam a beirada da grande cerca para ouvi-la, mas ninguém nunca teve a audácia de escalar os grandes muros que lhe escondiam. 

Certo dia a moça saiu para uma caminhada ao cair da noite, quando o sol já não se encontrava mais no horizonte. Costumava caminhar a beira da praia, arrastando seus longos vestidos pela areia molhada, sussurrando palavras aleatórias enquanto dançava. De todos os homens da pequena cidade, havia um que se sobressaia em quase tudo. Tanto em beleza, quanto em riquezas, e seu filho herdara os mesmos traços delicados do pai. Gregorio sorria muito, alguns diziam que sorria até de mais, mas nunca se deixe enganar pelo sorriso galanteador, ele não costumava se prender as moças que conhecia no bordel. Passou várias semanas observando a herdeira de longe, enquanto bebericava seu vinho mais caro, porém a menina nunca retribuiu seus olhares maliciosos. Aparentava ser inocente de mais, boba de mais, mas a educação que tinha aprendido em casa dizia algo totalmente diferente. 

Gregorio se aproximou da menina na véspera de seu aniversário, quando esta caminhava pela praia sem companhia alguma. Naquela época, uma moça tão bela passear de noite desacompanhada seria uma enorme falta de educação, mas ninguém ousava julga-la, não por isso. Ele usou de maneira hostil suas melhores cantadas, mas a garota permanecera o tempo inteiro cabisbaixa, desprovida de qualquer emoção. Sempre tão persistente, Gregorio já estava a ponto de desistir, quando lembrando de sua perfeita educação, pegou na delicada mão da garota e lhe fez uma pergunta, soando tão derrotado quanto possível. 

- Posso ao menos saber seu nome? 

Desconfortável, a menina encolheu os braços, puxou a própria mão e se virou para o mar, onde as ondas quebravam próximas ao seus pés. A lua crescente estava em seu ponto mais alto no céu, iluminando bem mais que qualquer lampião na beirada da praia. 

- Circe. 

Um belo nome para uma garota tão sombria, ele pensou lembrando-se da famosa feiticeira mitológica que viu por várias vezes em seus livros de história. Ele se virou para olha-la uma última vez, porém alguma coisa lhe deixava tonto, embriagado, como se o vinho recém consumido estivesse lhe deixando grogue. Não durou nem mesmo um minuto, e quando se deu por si, estava sozinho.
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