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Reality - Capítulo 1

Um experimento que nasceu na minha vontade de postar alguma história com a temática de blogs, diferente de todas as histórias que eu havia visto sobre o assunto. Não é uma história sobre o maravilhoso mundo dos blogs, muito menos sobre o quanto esse mundo virtual é falso (o que eu discordo em partes, leiam o post sobre a minha crítica a Essena), mas sim uma mini história sobre o auto descobrimento, sobre a essência verdadeira de cada pessoa, e também sobre o quanto algumas escolhas mudam totalmente a nossa vida. Estou escrevendo essa história não com o intuito de desmerecer blogueiras maiores ou coisa do tipo, e pelo amor de Deus, se conhecerem alguma blogueira parecida com a Mariana me avisem, porque tentei por nela algumas condições e... Digamos que defeitos de uma vida mentirosa por trás da internet. Não uma vida por trás de fotos do Instagram ou algo parecido, mas sim uma vida de máscaras, onde algumas pessoas fingem serem outras apenas para agradar uma maioria, ou porque acham que é assim que a vida deve ser. Enfim, aproveitem a história e não me joguem tomates se não gostarem, críticas são super bem vindas!
Capítulo 1 - Máscaras

Tudo que eu queria eram só mais cinco minutinhos, apenas essa quantidade mínima de minutos para descansar só mais um pouco. Muito sonhadora essa garota, até parece que o costumeiro despertador do celular iria parar de tocar "Bang" magicamente, e até eu arrumar forças para estender a mão para a cabeceira da cama, já teria perdido todo o sono. Abri os olhos inundada de preguiça, e bufei ao ver aquela penteadeira horrorosa na minha frente por mais um dia. Eu a odiava eternamente, sua cor rosa choque chegava a me dar dores na vista, e o modelo meio provençal me lembrava aqueles filmes que remetiam a era vitoriana. O resto do quarto não me proporcionava um sentimento diferente, tudo ali parecia um cenário de um filme que eu odiava, e esse filme era a minha vida. Estendi o braço para a cabeceira, tateando incansavelmente até achar o meu celular, e por pouco não o derrubei no chão, eu definitivamente não precisava rachar a tela dele pela quinta vez nesse ano. Desbloqueei-o com um deslize do meu dedo em sua tela, e precisei afastar o telefone da minha vista, por causa da quantidade de notificações brilhantes e barulhentas, eu havia esquecido os aplicativos abertos de novo, ou provavelmente havia dormido em cima do celular como sempre fazia. 

Deixaria para responder aquilo tudo depois, o que eu mais precisava agora era de um bom banho. Não digo que me arrastei para o banheiro porque seria exagero, eu meio que me obriguei a andar de forma decente, se não teria que me preocupar com mais dores do que a minha costumeira dor de cabeça matinal. Assim que terminei, agora um pouco mais atenta e menos mal humorada, me cobri com o roupão e olhei torto para o meu computador, aquela claridade toda me mataria a qualquer momento. Tentando espantar esse tipo de pensamento me sentei de vez na cadeira e botei a maquina para funcionar, e enquanto respondia alguns emails e comentários, me permiti divagar um pouco sobre como a minha vida havia virado do avesso quase que sem a minha permissão. 

Tudo começou quando eu tinha uns 15 anos, eu era particularmente bonita mesmo por trás daquelas maquiagens horrorosas e das poses ridículas do Orkut. Com a popularização da internet, mais pessoas passaram a me conhecer, muitas além da minha escola, do meu bairro, da minha cidade e até mesmo do meu estado. Arrisco dizer que me deixei levar pela maré, e quando percebi, eu estava em uma posição bem parecida com a que estou agora. Sentada na frente de um computador, porém antigo por causa da época, encarando a interface do blogspot sem saber ao certo o que postar no meu novo blog, aquele que tanto haviam me pedido para criar. No início era divertido, eu me permitia ser o mais viajada possível nas minhas postagens, e não me importava com a quantidade de pessoas que estava me vendo. As coisas não continuaram desse mesmo jeito, com a quantidade de perfis e blogs sendo criados a todo momento, me vi sendo obrigada a mudar pouco a pouco, e agora a uns 3 anos depois eu mal me reconheço. 

Depois de responder o tanto de comentários que pude e deixar algumas mensagens nas redes sociais, me rendi a real rotina matinal. Me sentei em frente ao espelho daquela penteadeira horrorosa e fiz algo que já me era automático, a maquiagem de todos os dias, algo básico o bastante para parecer que estava natural, mas que escondesse minhas marcas de espinhas do início da minha adolescência e que me deixasse mais bonita do que eu já era. Abri o snapchat no celular e mantive o polegar já dolorido na maldita bolinha vermelha, o discurso era quase o mesmo. Com um sorriso que não era meu, comecei a falar: 

- Bom dia meus amores! Acho que peguei no sono ontem a noite de novo e acabei de acordar, mal posso esperar para gravar uma maratona de vídeos hoje, e mais tarde vou estar ai pertinho de vocês, no Norte Shopping na loja da Quem Disse, Benedite. Quero todas as minhas cariocas lá, ein?! 

Passado os 15 segundos de gravação, fiz mais movimentos automáticos para enviar o vídeo e senti uma vontade descontrolada de jogar aquele celular longe. 

- Menos Mariana, você é mais forte do que esse seu estresse idiota - repeti meu mantra em voz alta, a única maneira de me lembrar que tudo estaria tudo bem, e que eu teria que me estressar ainda mais se decidisse quebrar toda a casa. Arrumar o dinheiro para um celular novo me obrigaria a aceitar alguma parceria estressante ou mais trabalho do que eu já tinha. 

Me sentei novamente na mesa do computador e comecei a digitar as postagens dos próximos 3 dias, editei algumas fotos de look do dia, fiz a montagem de alguns tutoriais de maquiagem e montei miniaturas para os vídeos já editados. Quando terminei tudo já eram 4 da tarde, eu estava faminta e com toda dor no coração possível, aceitei que eu não poderia comer no burguer king ou no bobs, comida rápida pra mim seria um prato de salada que me deixaria anêmica logo logo, mas é claro que eu não tinha tempo para pensar nisso. Completei a maquiagem que já havia feito mais cedo, deixando-a mais pesada e mais elaborada, tomei um segundo banho e vesti a roupa que havia escolhido no dia anterior. A três anos atrás eu riria de qualquer garota que chegasse três horas antes em algum lugar, apenas para gravar alguns vídeos e tirar algumas fotos, mas lá estava eu a caminho do shopping, com o meu fiel escudeiro e fotógrafo ao meu lado. Ele não gostava muito de mim, mas formávamos um belo par quando se tratava de fotógrafo e sua modelo. Não precisei sair do carro para saber que a noite seria longa, as garotas no estacionamento gritavam algo o bastante para me dizerem que sim, eu teria muita dor de cabeça essa noite. 

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